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Prescrição MOST®: é possível simplificar a Ortodontia sem perder individualização?

  • Foto do escritor: Profa. Dra. Liliana Maltagliati
    Profa. Dra. Liliana Maltagliati
  • 18 de jun.
  • 5 min de leitura

A Ortodontia sempre exigiu tomada de decisão individualizada.


Cada paciente apresenta características próprias, padrões faciais distintos, inclinações dentárias diferentes, respostas biológicas variáveis e objetivos clínicos específicos.


Por isso, quando falamos em simplificação, uma dúvida costuma surgir entre os ortodontistas:

simplificar uma prescrição significa perder capacidade de individualizar?


Essa pergunta é importante, porque toca em um ponto central da prática clínica.


Ao longo da minha trajetória, ficou claro que a simplificação só tem valor quando não reduz o raciocínio clínico. Simplificar, em Ortodontia, não pode significar padronizar de maneira rígida. Deve significar organizar melhor as possibilidades.


Foi a partir dessa lógica que a Prescrição MOST® foi desenvolvida.



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A diferença entre simplificar e limitar


Existe uma diferença importante entre simplificação e limitação.


Limitar é reduzir possibilidades clínicas.


Simplificar é diminuir complexidades desnecessárias para que o profissional consiga tomar decisões com mais clareza.


Na prática ortodôntica, a complexidade pode surgir de várias formas:


  • excesso de variações de bráquetes;

  • diferentes prescrições utilizadas sem uma lógica integrada;

  • dificuldade de organização do estoque;

  • necessidade frequente de adaptações clínicas;

  • insegurança sobre qual prescrição utilizar em cada situação.



Quando essas variáveis não estão bem organizadas, o tratamento pode se tornar mais complexo do que precisa ser.


A proposta da Prescrição MOST® não é retirar do ortodontista a possibilidade de individualizar, mas oferecer uma base mais racional para que essa individualização aconteça com mais fluidez.



Por que tantas prescrições podem dificultar a prática clínica


As diferentes prescrições ortodônticas surgiram de necessidades clínicas específicas.


Cada uma trouxe contribuições importantes para a evolução da especialidade.


O problema aparece quando o profissional passa a depender de múltiplas prescrições para tentar responder a diferentes situações clínicas sem uma lógica única que organize essas escolhas.


Isso pode gerar dúvidas como:


  • qual prescrição utilizar em determinado padrão de má-oclusão?

  • quando é necessário trocar o tipo de bráquete?

  • como manter coerência entre torque, angulação e objetivo mecânico?

  • como reduzir estoque sem perder possibilidades clínicas?

  • como simplificar a rotina sem comprometer o resultado?


Essas perguntas são comuns e refletem uma dor real da prática ortodôntica.


A Prescrição MOST® nasce justamente da tentativa de responder a essas questões de forma integrada.



Individualização não está apenas no bráquete


Um ponto essencial é compreender que a individualização do tratamento não depende apenas da existência de múltiplos tipos de bráquetes.


Ela depende, principalmente, do raciocínio clínico do ortodontista.


A individualização envolve:


  • diagnóstico correto;

  • definição dos objetivos do tratamento;

  • escolha da mecânica;

  • posicionamento dos bráquetes;

  • sequência de fios;

  • controle de torque;

  • leitura da resposta biológica;

  • ajustes ao longo do tratamento.



O bráquete carrega informações importantes, mas ele não substitui o planejamento.


Por isso, uma prescrição mais organizada pode ser extremamente eficiente quando está associada a uma compreensão clara da biomecânica.



Como a Prescrição MOST® organiza o raciocínio clínico


A Prescrição MOST® foi pensada para reunir, em uma mesma lógica, características que permitam ao ortodontista trabalhar com versatilidade, eficiência e menor complexidade operacional.


O objetivo não é criar uma prescrição “única” no sentido de engessar a prática.


O objetivo é criar uma prescrição que ofereça uma base clínica coerente para diferentes situações.


Essa organização permite ao profissional:


  • reduzir a necessidade de múltiplas prescrições paralelas;

  • administrar melhor o estoque;

  • manter versatilidade clínica;

  • preservar a individualização;

  • conduzir diferentes más-oclusões com uma lógica mais integrada.



Essa é uma mudança importante.


Em vez de o ortodontista adaptar continuamente sua conduta a diferentes sistemas, ele passa a trabalhar com uma estrutura mais organizada de decisão.



A importância do controle biomecânico


Toda prescrição ortodôntica só faz sentido quando compreendida dentro de uma mecânica.


Valores de torque e angulação não devem ser analisados de forma isolada.


Eles precisam ser interpretados em relação ao fio utilizado, à folga existente no slot, à mecânica aplicada, ao padrão facial e ao objetivo final do tratamento.


Por isso, ao falar da Prescrição MOST®, não estamos falando apenas de uma combinação de valores.


Estamos falando de uma forma de pensar o tratamento.


Na prática clínica, o que determina o sucesso não é apenas o que está prescrito no bráquete, mas como essas informações serão expressas, conduzidas e controladas ao longo do tratamento.



Simplificação também é eficiência operacional


Além do aspecto biomecânico, existe uma realidade prática que não pode ser ignorada: a rotina clínica do ortodontista.


Consultórios e clínicas precisam lidar com compras, estoque, reposição de peças, organização de casos e padronização de fluxos.


Quando há excesso de variações, a rotina se torna mais complexa.


A Prescrição MOST® também foi desenvolvida pensando nessa dimensão da prática clínica.


Uma prescrição mais racional permite:


  • reduzir confusão no estoque;

  • simplificar a reposição de bráquetes;

  • facilitar a organização da clínica;

  • manter previsibilidade sem multiplicar sistemas;

  • tornar a rotina mais eficiente.


Essa eficiência não é apenas administrativa.


Ela impacta diretamente a segurança do profissional durante a condução dos casos.



Prescrição não substitui formação


Um ponto precisa ficar muito claro: nenhuma prescrição, por melhor que seja, substitui o conhecimento do ortodontista.


A Prescrição MOST® foi desenvolvida para simplificar a prática clínica, mas não para automatizar decisões.


Ela exige compreensão de diagnóstico, biomecânica, colagem, sequência de fios, controle de torque e resposta individual do paciente.


Essa é uma diferença fundamental.


Quando a prescrição é compreendida apenas como produto, seu potencial é limitado.

Quando é compreendida como lógica clínica, ela se torna uma ferramenta de organização, controle e eficiência.



Um sistema pensado para a Ortodontia real


A prática ortodôntica real não acontece em condições ideais.


Ela envolve pacientes diferentes, limitações biológicas, respostas inesperadas, necessidades estéticas, desafios mecânicos e decisões diárias.


Por isso, uma prescrição eficiente precisa ser aplicável, compreensível e versátil.

A Prescrição MOST® foi desenvolvida a partir dessa realidade.


Seu objetivo é simplificar sem empobrecer, organizar sem engessar e preservar a individualização sem ampliar desnecessariamente a complexidade.


Esse equilíbrio é o que torna sua proposta relevante para a Ortodontia contemporânea.



Um tema que precisa ser aprofundado


Compreender a Prescrição MOST® exige mais do que conhecer sua composição.

É necessário entender a lógica que sustenta sua criação, sua aplicação nas diferentes más-oclusões e sua relação com os princípios biomecânicos da Ortodontia.


Nos próximos conteúdos desta categoria, serão explorados aspectos mais específicos, incluindo:


  • a relação entre prescrição e controle de torque;

  • a aplicação da MOST® em diferentes padrões clínicos;

  • a importância do posicionamento dos bráquetes;

  • a integração da prescrição com a mecânica de baixa fricção;

  • o impacto da simplificação na rotina clínica.


Porque simplificar a Ortodontia não significa reduzir o tratamento.


Significa compreender melhor o que realmente precisa ser controlado.



Profa. Dra. Liliana Maltagliati

Ortodontista • Referência em Mecânica Ortodôntica de Baixa Fricção

Idealizadora da Prescrição Ortodôntica MOST®

Pós-Doutoranda — Saint Louis University (EUA) | Universidade de São Paulo (USP)



Sobre a autora

Mestre e Doutora em Ortodontia pela Universidade de São Paulo (USP — Bauru), a Profa. Dra. Liliana Maltagliati é uma das principais referências brasileiras e internacionais em mecânica ortodôntica de baixa fricção e sistemas autoligados.

Realizou mini-residência em Dor Orofacial pela University of Minnesota (EUA), atua como Professora-Adjunta do Programa de Mestrado em Ortodontia da Universidade Univeritas/UNG e foi premiada pela World Federation of Orthodontists (WFO) em 2023 com o Lee W. Graber Orthodontics Changing Lives Award.

Autora de dois livros sobre tratamento ortodôntico com bráquetes autoligados, possui mais de 90 artigos científicos publicados, é revisora de periódicos nacionais e internacionais e já ministrou mais de 200 palestras no Brasil e no exterior.

É a idealizadora da Prescrição Ortodôntica MOST®, desenvolvida para simplificar a prática clínica, otimizar o controle de estoque, preservar a individualização dos bráquetes e atender de forma versátil todas as más-oclusões.

Atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado em alinhadores ortodônticos de impressão direta, em parceria entre a Saint Louis University (EUA) e a Universidade de São Paulo (USP).

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Liliana Maltagliati

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